Riacho das quengas – Joilson Assis 50
Era trabalhador mais bebia e vivia atrás das malditas quengas. Mas eu não ligava com isto os maridos de quase todas as lavadeiras incluindo a minha mãe era quengueiros, ele sendo o meu dono era o que importava. Estes olhares e sorrisos duraram alguns meses até que minha mãe de resguardo de mais um filho me deixou ir para o açude lavar roupas e foi ai que eu tive o meu primeiro encontro com um homem. Era tanta roupa que às vezes começava a escurecer e eu a lavar as roupas daqueles riquinhos exigentes. Foi quando me encontrei com Juvino varias vezes. Comecei a lavar roupas muito rápidas para junto à linha do trem encontrasse Juvino que era cordial e me deu os primeiros beijos quentes de homem. Bastaram alguns dias e Juvino estava todo animado e queria m fazer mulher, mas eu não iria arriscar sujar o nome da minha família me perdendo.
- Case-se comigo Juvino e eu serei a melhor mulher do mundo pra você.
- Não posso sou muito novo e tenho que estudar muito.
Perante a recusa dele eu me recusava a conceder-lhe o prazer que tanto ele me pedia. Não deixava o principal acontecer, mas muitas coisas aconteciam junto à linha do trem que passa ao re-
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Dor do açude das paixões. Confesso que o deixei louco muitas vezes, mas eu também enlouquecia. Minha mãe voltou a lavar roupa nas pedras das fuxiqueiras e eu não pude ter mais a liberdade que estava tendo com Juvino. Como não dei o que ele suplicava fui trocada por uma quenga que morava ao lado do açude. Novamente sofri muito e chorei amargamente escondida com meus travesseiros. Pensei em ser freira idéia esta que foi absurda perante Dona Maria.
- Homem é tudo igual minha filha, eles nos tratam apenas como objetos.
Mas mesmo como objeto eu queria um para mim. Eu era muito nova, mas o desejo de ser mulher e a vontade de ter um homem grande e difícil de entender. Não dava para esconder tamanha vontade fogo que eu tinha dentro de mim. Tive muitos namoros de curta duração com João, mas ele era meio doido e falava demais. José das vacas “burro” como um jumento e falava tanta besteira que só me dava vontade de dar gargalhadas. Luiz era valentão e metido, mas na verdade era medroso e nunca foi pedi a minha mão ao meu pai em namoro. Talvez ele nunca tivesse coragem para isto. Mané das burras era um jovem de 24 anos e era faci-
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nado por dinheiro, só falava em lucrar. Francisco era filho de outra lavadeira amiga de minha mãe ele era inteligente e educado, sabia até ler, mas em nossos contatos corpo a corpo ele não demonstrava ser muito homem. Dava a impressão que ele gostava das mesmas coisas que eu. Não dava para eu sonhar em casar com uma mulher em um corpo de homem não. A mãe dele desconfiava e por isto jogava ele para mim constantemente.
O tempo passa rápido e foi quando cheguei aos meus quinze anos, mas não houve festa isto era “frescura” para os pobres daquela região. Eles nunca tinham feito nem uma festa de aniversário para mim quanto mais uma festa de debutante como os ricos faziam. Minhas roupas eram sempre de segunda, era comum nos cainhos encontrarmos as antigas donas e elas em sorrisos apontarem para os seus antigos vestidos.
- Olha, aquele vestido era meu, há, há, há...
Mas dizem que o pobre não tem direito a vergonha o jeito era ignorá-las. Eu gostava da minha vida mesmo com tantas dificuldades e brigas dentro de casa. Os meus pais não poderiam me dar o que eles não receberam. Meu pai tinha muitos filhos e tinha que ajudar a todos. A vida se torna bem melhor com uma pitada

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de compreensão. Quando somos adolescentes somos muito ansiosas e esperançosas. Eu era tudo isto e romântica, pois desejava um homem que soubesse reconhecer o real valor de uma mulher. Mas qual séria o valor de uma mulher?
Na missa eu rezava pedia a Deus que me fizesse bem bonita para que os homens me notassem e o meu amado surgisse logo e não aqueles doidos que me quiseram. A missa era algo lindo e tinha um clima maravilhoso e Jesus ali na cruz parecia compreender as nossas maiores burrices. O padre falava sobre o amor a compreensão que Jesus tinha ensinado num lugar muito longe chamado Israel. Será que dava pra ir a pé até lá? Enquanto eu escutava o santo padre vi aquela prostituta que tinha “brigado” com minha mãe há muitos anos atrás. Ela estava magra e parecia doente, não era mais aquela mulher e tinha várias manchas na pele que estava meio descuidada. Quando ela sentou no banco os visinhos levantaram e foram para outro lugar como se estivessem sentindo nojo dela. Mesmo assim ela continuou e com os olhos no altar rezava. O que será que ela estava passando?
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