PARTE FINAL DA HISTÓRIA DE VERÔNICA A QUENGA DO NORDESTE

Riacho da Quengas

Joilson de Assis



Ana Carolina Trajano da Silva, Verônica morreu em dezembro de 1942 com 35 anos de idade. Vítima de uma infecção não diagnosticada. Uns disseram que foi mau de parto recolhido, outros que foi doença venérea, alguns pneumonia e ainda alguns que disseram que foi mau de Quenga. Ela foi enterrada no cemitério do Monte Santo em Campina Grande e todos os custos foram pagos por Bastião.

Dona Yayá anos depois foi para Recife e foi acolhida por uma filha que tinha lá. Em seu lugar ficou Nita que se tornou famosa e morreu com mais de oitenta anos. Do cabaré de dona Yayá surgiu Antonia que também fundou um cabaré famoso no bairro da Palmeira chamado Cabaré da “Veia Otonha” que acolheu centenas de meninas da vida livre.

Judite deixou a vida e ganhou uma casa do prefeito no Bairro do Louzeiro. Continuou simpática, conversadeira mas não levava desaforo pra casa. Por isso mesmo ela continuou famosa entre os policiais no qual batia quando enfurecida.

Ana Carla e Ana Cristina conseguiram casamento e conseguiram se tornarem mulheres da sociedade. Ana Paula morreu de infecção aos vinte e sete anos de idade. Severina conseguiu ajuntar dinheiro e comprar uma casa. Ela conseguiu trabalhar na Ipelsa por toda sua vida, criou seus filhos e se tornou crente da Igreja Assembléia de Deus do Bairro da Prata.

Sara deu muita sorte, casou-se antes de Verônica morrer, ficou viúva e casou com um barão do algodão. Ela tinha até















Riacho das quengas – Joilson Assis 133


um carro. Sara foi a mais bem sucedida das ex-quengas e morou em uma cidade do interior.

Uma grande parte das quengas desejavam apenas um homem para ser seu dono, mas não conseguiram. Morreram jovens vítimas de doenças como cífilis, câncer de útero e febres desconhecidas. Está nestas mortes um grande enigma, pois algumas destas jovens não suportavam vinte anos de vida livre, morriam por diversas doenças venéreas, mas outras, as que escapavam, conseguiam uma longevidade muito grande que chegava próximo aos noventa anos. Este mistério sempre foi motivo de comentário mas acredita-se que a imunidade das mulheres era o fator importante nestes resultados.

Centenas e até milhares de filhos de quengas foram criados pela nobreza e nem mesmo tomaram conhecimento disto. A produção de crianças na época era muito grande devido não ter anti consepcional. Muitos nobres e dominantes são verdadeiramente filhos das putas.

Cabaret – No Frances
Os cabarés (Caburé no Tupy – Ave Noturna) dominaram áreas inteiras nas décadas de 1910 até 1980 aonde ouve uma mudança brusca de visão acerca do sexo. Milhares de Jovens “Perdidas” foram impiedosamente JOGADAS nos cabarés para serem quengas e pagarem o GRANDE ERRO que fizeram as vezes enganadas e as vezes por amos se entregaram. Milhares de sonhos foram perdidos por causa de uma virgindade perdida e as pequeninas sujas e pobres casas das quengas se enchiam de lágrimas e revoltas pais e amantes fujões. As casas das quengas eram ver-














Riacho das quengas – Joilson Assis 134



dadeiros campos de concentrações que dificilmente uma mulher escapava. A moral da sociedade da época formava uma verdadeira cerca elétrica que não deixavam as quengas caírem para a sociedade dos vivos. Sem dinheiro, sem moral, sem assistência técnica e religiosa muitas quengas tombavam com doenças ainda na mocidade e as velhas morriam de beber para esconder seu desgasto de viver.

Muitos prefeitos tiravam das cidades que crescia os barracos das quengas e não proporcionavam para elas nenhuma assistência. Era apenas uma retirada do que se desagradava aos olhos das madames xiques e dominantes.

Bastião amou Verônica por toda sua vida e as músicas que fez em homenagem a ela entregava a cantores de cabarés que decoravam as belíssimas melodias. O Rádio e o Cão Peri foi a única herança que Verônica deixou com Bastião para Iris a filha do amor dos dois. Bastião visitava periodicamente o túmulo de Verônica e segundo os coveiros ele como um louco ele cantava a música chamada Verônica ao lado do túmulo todas as fezes que ia visitar seu grande amor. Sebastião foi encontrado morto ao lado do túmulo de Verônica sua amada como se tivesse morrido de saudade.





















Riacho das quengas – Joilson Assis 135



- Seu Bastião o cemitério vai fechar. Seu Bastião o cemitério vai fechar: “Danado esse homem doido vai atrasar agente.” Seu Bastião ta surdo é?

O coveiro Toinho com seu chapéu de palha e seu cigarro de palha entrou meio “zangado” para falar com Bastião que o cemitério ia fechar e encontra entre os túmulos Bastião caído ao lado da cova de Verônica com o seu violão do lado dele.

- Seu Bastião, seu Bastião... Eita danado o que ta acontecendo... Seu Bastião acorde... Minha Nossa Senhora... Mané corra cá homi, vem cá, seu Bastião ta caído aqui no chão... seu Bastião...
- O que é macho?
- Oia só, Bastião ta caído...
- Eita danado será que ta morto?
- Sei lá Mané acuda aqui logo!
- Segura o homi direito danado... Logo, levanta agora...
- Ele ta morto Mané.
- Ta não foi um passamento vice vamo, vamo homi...
- Bote ele nas minhas costas...
- é mior nos braços, vamo, vamo, vamo...

“Verônica me sinto tão só, quando não estás junto a mim. Verônica eu quero te dizer que te amo tanto que não posso mais e que te quero tanto amor...” Fim

Nenhum comentário:

Postar um comentário